Contemplando a Cristo

Palavra do culto

Pr Marcello Pantoja

7/19/20266 min read

CONTEMPLANDO CRISTO

SIGNIFICADO DA CONTEMPLAÇÃO E A BATALHA PELA NOSSA ATENÇÃO

Vá além do olhar superficial para a sua vida espiritual. Contemplar significa observar algo com profunda atenção e admiração, envolvendo focar o olhar e refletir intensamente sobre a grandeza do que se vê. O termo também significa ser agraciado com o favor de Deus, abrindo o próprio coração para receber as ricas revelações de Sua Palavra.

Vivemos, no entanto, a grande batalha do nosso século. O diabo utiliza distrações constantes, como as pressões diárias e o excesso de tecnologia moderna, para tentar minar nossa capacidade de raciocínio. Ele procura entrar na mente das pessoas, fazendo-as acreditar que seus pensamentos são próprios, para roubar o foco da verdadeira adoração.

O inimigo age dessa maneira pois sabe exatamente como a nossa mente e a nossa fé funcionam. Se ele conseguir ocupar os nossos olhos com as circunstâncias adversas, as tempestades e o caos, logo ocupará o nosso coração com a incredulidade e o desespero.

A BELEZA INCRIADA ONDE A NOSSA ADORAÇÃO COMEÇA

"Uma coisa peço ao Senhor, que eu possa contemplar a beleza do Senhor." (Salmos 27.4)

Antes de existir um único anjo, antes da formação do universo ou de haver a primeira luz, a beleza já existia. Havia o Pai contemplando o Filho na perfeita comunhão do Espírito Santo. A beleza não nasceu durante a criação, mas foi a criação que nasceu da Beleza eterna.

"Tu me amaste antes da fundação do mundo." (João 17:24)

Isso significa que, muito antes de existir qualquer criatura para admirar a Cristo, o Pai já O contemplava com perfeito deleite. O coração humano busca incansavelmente por beleza em todos os lugares justamente porque foi criado à imagem dessa Beleza incriada e eterna.

Toda a criação foi, portanto, convidada a participar de uma contemplação que já existia na eternidade. Quando adoramos, nós mergulhamos nesse movimento eterno de amor entre o Pai, o Filho e o Espírito. O objetivo final da salvação nunca foi simplesmente evitar o inferno ou apenas chegar ao céu.

O nosso grande propósito sempre foi participar da contemplação eterna de Cristo. O pecado, de fato, interrompeu temporariamente essa contemplação gloriosa no Éden, mas a obra da redenção veio para restaurá-la plenamente em nossas vidas.

Talvez seja exatamente por esse motivo que Satanás odeia tanto a nossa adoração. A verdadeira adoração faz o homem voltar ao seu propósito original, desfazendo as obras do inimigo e nos reconectando diretamente ao coração e ao olhar de Deus.

O DEUS QUE TRABALHA ENQUANTO O ADORADOR CONTEMPLA

Nossa tendência humana e falha é pensar que a fé é algo que trabalha exaustivamente enquanto Deus apenas responde. Mas o Senhor inverte completamente essa lógica terrena, ensinando que, enquanto eu descanso em quem Ele é, Ele trabalha naquilo que eu não posso fazer.

"Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também. Aquele que entrou no descanso de Deus também descansou das suas obras." (João 5.17)

O Reino dos Céus possui dois tipos distintos de obras. Existem as obras que nós fazemos para Deus e as obras que somente Deus pode fazer em nós. Há pecados que nossa força não vence, traumas que disciplina nenhuma cura e transformações internas que esforço humano jamais alcança.

É nesse momento de limitação humana que Deus nos diz para vê-Lo trabalhar. Isso não é uma ordem para que fiquemos passivos diante da vida, mas sim um convite amoroso para abandonar de uma vez por todas a ilusão do controle. Precisamos falar com Ele como uma criança confiante que descansa nos braços do Pai.

A dependência excessiva do esforço humano acaba se tornando uma verdadeira prisão. Imagine a profunda angústia na história da viúva de Sarepta, vivendo uma realidade de extrema pobreza, fome e desesperança. A verdadeira provisão chegou à sua casa quando ela decidiu confiar plenamente no Senhor.

Mesmo diante da escassez absoluta, ao ofertar e agir com uma fé genuína, ela viu a abundância se multiplicar de forma milagrosa em seu lar. Sua história nos ensina de forma viva e prática que aquilo que parece totalmente impossível para os homens é absolutamente possível para Deus.

Nós gostamos de contemplar o que Deus já fez, mas a cruz encerrou a obra da redenção para que o amor, a graça e o Espírito continuassem trabalhando. A cura divina abrange desde a restauração da nossa saúde física até a provisão de milagres financeiros e emocionais em nossas vidas.

A CONTEMPLAÇÃO SUSTENTA A FÉ E GERA TRANSFORMAÇÃO

"E todos nós, contemplando a glória do Senhor, somos transformados." (2 Coríntios 3.18)

Muitas vezes dizemos que se perseverarmos com muito esforço, um dia conseguiremos contemplar a Deus. Porém, o apóstolo Paulo nos ensina o contrário, afirmando que a verdadeira transformação nasce da contemplação. Um coração que é transformado por essa visão divina consegue permanecer firme.

Pense na impressionante história de Pedro caminhando no meio do oceano escuro e agitado. Enquanto ele mantinha o seu olhar focado e contemplava a face de Jesus, ele fazia o impossível e andava sobre as águas turbulentas. A sua fé encontrava poder e sustentação naquela visão gloriosa.

Mas a narrativa muda dramaticamente quando Pedro desvia o olhar. Ao passar a contemplar a força do vento e o caos assustador da tempestade, ele perdeu o foco e começou a afundar nas águas. Essa história nos prova uma grande verdade espiritual: ninguém cai primeiro nos pés, cai primeiro nos olhos.

"Olhando firmemente para Jesus, autor e consumador da fé." (Hebreus 12)

Vivemos essa mesma dinâmica de contemplação e foco na antiga história de Josué. Ele tinha a imensa responsabilidade de liderar o povo de Israel para entrar na terra prometida e precisava enfrentar inimigos grandes e temíveis. O desafio parecia insuperável aos olhos humanos.

A instrução divina, no entanto, não foi para que ele focasse no tamanho dos gigantes de Canaã. Ele foi instruído a meditar continuamente na palavra de Deus para conseguir derrotá-los. A falta dessa meditação diária e desse foco correto poderia resultar na perda de toda a promessa divina.

Lembre-se também da assustadora história dos discípulos presos no barco durante a madrugada. Horas antes, depois da multiplicação dos pães, eles haviam visto um grande milagre acontecer diante de seus próprios olhos. A multidão inteira foi alimentada pelo poder sobrenatural de Cristo.

Contudo, pouco tempo depois desse evento extraordinário, eles voltaram a temer desesperadamente diante do vento e da tempestade. Por que ficaram com tanto pânico? Porque milagres impressionam, mas apenas a contemplação transforma. O milagre ocupa a memória, enquanto a contemplação ocupa o coração.

A ESCOLHA PELA BOA PARTE

Encontramos a ilustração perfeita dessa guerra pela nossa atenção na casa de duas irmãs em Betânia. O relato bíblico nos mostra que Marta estava distraída com muitos serviços, correndo de um lado para o outro. Ela tentava agradar a Deus baseada no seu próprio esforço humano e na ansiedade de apresentar suas obras.

Maria, por outro lado, tomou uma atitude completamente oposta aos padrões da religiosidade. Ela simplesmente parou, assentou-se aos pés do Senhor e dedicou toda a sua atenção para ouvir a Sua Palavra. Ela abandonou a ilusão do controle e escolheu a contemplação em vez do ativismo.

"Respondeu-lhe o Senhor: Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas. Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só coisa; Maria, pois, escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada." (Lc 10.41-42)

O Senhor deixa claro que a verdadeira centralidade não está no quanto podemos trabalhar para Ele, mas no quanto conseguimos descansar n'Ele. O inimigo frequentemente não nos ataca com o pecado escandaloso, mas com o excesso de ocupações legítimas. Ele quer nos manter ansiosos e exaustos na esfera dos sentidos.

Entenda que, antes de tentarmos resolver as tempestades da vida na nossa própria força, precisamos ser nutridos pelo Pai. A Palavra revelada nos coloca nesse lugar seguro de descanso. Quando paramos para contemplar a beleza da obra consumada de Cristo, nós escolhemos a única porção eterna que jamais será roubada de nós.

CONCLUSÃO

Por todos esses motivos, compreendemos que a maior batalha de um cristão não é simplesmente conseguir continuar caminhando. A nossa maior e mais decisiva luta diária é conseguir continuar contemplando o Senhor. Quem perde a contemplação luta de forma muito mais exaustiva para tentar manter a sua fé.

A continuidade da nossa jornada e da nossa firmeza é sustentada única e exclusivamente pela beleza de Cristo sendo continuamente contemplada. É essencial focarmos toda a nossa energia em quem Deus é de verdade, e não apenas nas diversas coisas maravilhosas que Ele pode fazer por nós.

Levante as suas mãos onde você estiver e renda-se inteiramente à vontade do Pai celestial. Declare a sua entrega total e a sua confiança inabalável no cuidado divino, mesmo quando você estiver diante de situações que parecem completamente impossíveis de serem resolvidas.

Substitua as distrações modernas, a angústia e a pressão constante deste mundo pela contemplação profunda e verdadeira do amor e da beleza de Cristo. Tenha a plena certeza de que contemplar essa obra consumada é o que vai gerar descanso e transformará a sua vida para sempre.